REVISTA BIZZ


REVISTA BIZZ

A revista Bizz foi uma publicação da Editora Abril, de grande destaque nas décadas de 1980 e 1990. A revista brasileira de música e cultura pop Bizz, inspirada em publicações estrangeiras como Rolling Stone, Smash Hits e New Musical Express, nasceu em 1985 e foi cancelada no ano 2001, retornando às bancas quatro anos depois, para encerrar suas atividades novamente em 2007, após o surgimento da versão brasileira da Rolling Stone. Foram editores da revista jornalistas como os paulistanos Alex Antunes e José Augusto Lemos, o piracicabano André Forastieri, o carioca Pedro Só, o gaúcho Emerson Gasperin e o jundiaiense Ricardo Alexandre.

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1985-1988: Rock in Rio e Rock Brasil

 A primeira edição da revista Bizz chegou às bancas em agosto de 1985, sob direção editorial de Carlos Arruda e chefia de redação de José Eduardo Mendonça. Seu projeto editorial inicial foi baseado em pesquisas levantadas junto ao público presente no primeiro Rock in Rio, ocorrido em janeiro daquele ano. O projeto visual foi inspirado na revista adolescente inglesa Smash Hits. O país vivia a explosão do chamado "Rock Brasil", com jovens bandas alcançando o estrelato a bordo de sucessos massivos nas FMs e de um bem-azeitado circuito de shows (nas danceterias). Pela primeira vez, se falava em "público jovem" no Brasil, cultura abafada por 20 anos de ditadura militar.

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Sua receita editorial inicial contemplava, além de música, também cinema, moda, vídeo, quadrinhos e tecnologia. A primeira edição alcançou a animadora marca de 100 mil exemplares, se estabilizando nos meses seguintes entre de 60/70 mil exemplares por mês.

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Em 1986, o Plano Cruzado deu impulso inédito ao consumo no país, do qual também se beneficiou a indústria fonográfica e do entretenimento. Bizz aposta então em edições especiais como a Top Hits (rebatizada logo depois como Letras Traduzidas), Ídolos do Rock e revistas-pôster de artistas como The Cure, RPM e Dire Straits. Com a explosão consumista, também o mercado publicitário passa por um superaquecimento, com a criação de toda uma gama de produtos e serviços direcionados ao público jovem. Para dar vazão a publicações direcionadas, a Editora Abril cria a Editora Azul, que passa a publicar Bizz a partir de outubro de 1986.

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Em 1987, o fim do Plano Cruzado trouxe de volta, aos poucos, velhos fantasmas da economia, como a inflação. Saques, manifestações populares e depredações passaram a ser comuns. Com a retração de mercado, suas únicas concorrentes, Somtrês e Roll, fecham as portas, e Bizz ganha força e poder de repercussão. José Augusto Lemos assume a direção de redação e Alex Antunes o cargo de editor, o que acentua o caráter "alternativo" das novas pautas. Dentro do plano de criação de produtos segmentados da Editora Azul, em junho de 1987 Antunes cria a revista Set com o jornalista Marcel Plasse, que fazia as pautas de cinema da Bizz. A revista-mãe fecha o foco em música.

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1989-1994: Novos projetos gráficos

 No fim de 1989, a revista ganha novo projeto gráfico e novo logotipo. Àquela altura, o cenário musical brasileiro era bastante diferente do de quatro anos antes. Dentre os grandes vendedores, somente Legião Urbana, Os Paralamas do Sucesso e Titãs não enfrentam queda nas vendas. As redes de FM eram uma realidade - durante o governo de José Sarney, foram distribuídas 958 concessões, uma por quinzena -, o que solidificaria rapidamente a prática do jabaculê. A aposta das gravadoras passa a ser os chamados "artistas bregas", como Rosana, Chitãozinho & Xororó e Leandro & Leonardo, e a lambada de Reflexu's da Mãe África, Beto Barbosa e Sarajane.

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Em maio de 1990, com a estreia da MTV Brasil, há um maior interesse de toda a mídia nacional em artistas estrangeiros. A segunda edição do Rock in Rio, em janeiro de 1991, é toda pautada por artistas em alta-rotação na emissora [carece de fontes], como Guns N'Roses, New Kids on the Block e Faith no More.

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Um novo projeto editorial e um terceiro logotipo estréiam em maio de 1993. A matéria de capa revela a preocupação da revista com a renovação do cenário brasileiro: "A nova MPB", com artistas então desconhecidos como Carlinhos Brown e Skank. Seis meses depois, André Forastieri deixa a redação para criar a revista underground de comportamento General. Para a produção das revistas-teste da General, foram utilizados os equipamentos da redação da Bizz.

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Em 1994, ocorre a descoberta de bandas como Raimundos e Mundo Livre S/A através do selo Banguela Records, fundado em agosto do ano anterior pelo repórter Carlos Eduardo Miranda juntamente com os Titãs.

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1995-1999: Mudança de Bizz para ShowBizz 

Em outubro de 1995, em meio aos novos ventos econômicos do Plano Real e ao sucesso do formato de cultura jovem disseminado pela MTV, Bizz transforma-se em Showbizz, com formato maior, projeto gráfico privilegiando fotos em detrimento do texto, linguagem adolescente, e ensaios sensuais. O mercado publicitário reage bem e o relançamento atinge 100 mil leitores.

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A partir de 1996, a revista passa a investir em capas com grandes nomes do rock (The Doors, Jimi Hendrix, Nirvana, U2, Legião). Com a compra da Editora Azul pela Editora Abril, os ensaios "sensuais" são extintos, inicia-se um processo de "limpeza na linguagem", buscando falar com um público mais abrangente, e um esforço concentrado para melhorar a qualidade do jornalismo praticado pela revista. Em agosto de 1998, o jornalista carioca Pedro Só assume o cargo de redator-chefe, abrindo o foco em direção a MPB, à "cultura musical" e inaugurando projeto gráfico mais sóbrio. A proposta visa reduzir a rejeição que a fase teen criou em parte do público e recuperar a credibilidade e o trânsito entre o meio artístico.

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2000-2007: Altos e baixos e novamente Revista Bizz 

No início do ano 2000, depois de uma associação com a Editora Símbolo, a direção da Editora Abril anuncia que Showbizz, dali em diante, seria publicada pela editora independente, novamente sob o título Bizz.

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Pedro Só declina do convite de manter-se à frente da redação. Quem assume é o então editor-assistente Emerson Gasperin, que opta por aprofundar a receita editorial em curso, abrindo o foco para música eletrônica e raridades do pop nacional e apostando em grandes matérias históricas especiais. Em julho de 2001, entretanto, desfez-se o contrato entre Símbolo e Abril e a última não se interessou em continuar o título. A partir daí a revista manteve-se viva em edições especiais ocasionais.

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O culto em torno do título chamou a atenção para o vazio causado após o fim da revista. Em setembro de 2005, o Núcleo Jovem da Editora Abril (responsável por títulos como Superinteressante e Capricho) decide ressuscitar a revista. Para a direção do novo projeto editorial, foi convocado o jornalista Ricardo Alexandre, lançado nas páginas da própria Bizz em 1993.

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Na verdade, esse retorno se deu de forma quase clandestina. Adriano Silva, então diretor do Núcleo Jovem, e Alexandre venderam à alta direção da Abril a ideia de que, mesmo mensal, a Bizz teria edições especiais, enfocando um tema ou um artista diferente. Tal fórmula deu certo em 2004, quando foi às bancas um especial sobre o cantor Cazuza. Porém, a dupla aproveitou essa chance para reeditar o projeto original: noticias, entrevistas e resenhas.

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Ao saber disso, a Abril decidiu não investir na divulgação da revista. Resultado: edições com vendagens modestas. Apenas 4 mil leitores adquiriram a edição com o cantor Devendra Banhart na capa), em Julho de 2007, Ricardo Alexandre assinou pela primeira vez uma reportagem de capa da revista, contando a história da última turnê dos Los Hermanos. Foi a última edição da Bizz como revista mensal. Nesse meio tempo em que essa nova fase da Bizz estava nas bancas, ocorreu o lançamento da edição brasileira da Rolling Stone. O fato de ter um concorrente de peso não animou a alta cúpula da editora.

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2007-Hoje: Edições Especiais

 A Editora Abril mantém viva a marca Bizz publicando esporadicamente algumas edições especiais. Até o momento já saíram especiais de artistas como Michael Jackson, Elvis Presley, Lady Gaga, U2, Amy Winehouse e John Lennon e, mais recentemente, um especial sobre o Rock In Rio, lançada em setembro de 2011.

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> Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.


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